
Toda mulher quando engravida fica com dúvidas se pode fazer certas coisas durante a gestação, para ajudar a esclarecer essas dúvidas, fizemos o post de hoje. Mas lembre-se: é sempre muito importante que você, mamãe, consulte o seu médico.
Semana que vem tem mais!
O que pode:
Depilação com cera
De acordo com o obstetra Eduardo Cordioli, Presidente da Comissão de Urgências em Obstetrícia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), as gestantes estão liberadas, já que a depilação com cera não traz nenhum risco para o bebê.
Mas a depilação a laser deve ser evitada: “Recomendamos o tradicional, com cera morna. O uso do laser não foi testado de forma científica e, por isso, não liberamos”, explica Cícero Venneri Mathias, ginecologista da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).
Ele alerta que a pele fica mais sensível durante este período. Portanto, é normal sentir um maior desconforto ao se depilar. “A região pélvica, por exemplo, pode ficar mais dolorida pelo afastamento dos ossos da bacia e a depilação da virilha pode doer um pouco mais”, diz. Por isso, o mais indicado é continuar com a depilação usual, à qual a gestante já está acostumada.
E a cera deve ser morna, não quente. A depiladora e esteticista Rosana Macedo, do Tez Esthétique et Coiffeur, em São Paulo, indica às grávidas o uso da cera de camomila, mais fina e mais delicada do que a normal. Além disso, a esteticista Ivanilda Alves da Silva, do Clinic Cabelo e Estética, de São Paulo, conta que as gestantes devem procurar uma esteticista profissional de confiança, para não haver desconforto além do esperado.
Pintar o cabelo e fazer luzes
Grávidas podem pintar o cabelo, mas só a partir da 12ª semana. As tinturas para cabelo e os tonalizantes são compostos por substâncias que podem ser absorvidas pelo organismo e provocar malformações no feto. “A partir da 12ª semana de gravidez as chances de malformação diminuem”, explica Roberto Eduardo Bittar, professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP.
Mas, segundo o especialista, o ideal é optar pelas hennas durante toda a gestação, já que o produto não contém iodo, nem amônia na composição. “Na aplicação de outro produto, evite o contato com a raiz do cabelo, protegendo o couro cabeludo”, alerta. Cláudia Garcia Magalhães, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) recomenda ainda que a gestante não prepare nem aplique a tintura em si mesma.
Já as luzes só estão liberadas se forem feitas com a técnica da touca e com água oxigenada. “Se for adicionado outro composto para melhorar a cor, o perigo será semelhante ao das tinturas”, alerta a dermatologista Aparecida Machado de Moraes, chefe da Dermatologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
Cafeína
Grávidas podem ingerir cafeína, limitando-se entre 4 e 6 xícaras por dia.De acordo com a nutricionista da Universidade Federal de Pelotas, Carla Alberici Pastore, existem estudos que comprovam que o consumo de cafeína moderado não traz riscos ao bebê.
É bom lembrar que refrigerantes, chá preto e chocolates também contêm cafeína e devem entrar nessa conta diária. “A cafeína em quantidades elevadas – acima de 300mg ao dia – pode ser causa de abortamento, restrição de crescimento fetal e prematuridade”, explica o ginecologista e obstetra Roberto Eduardo Bittar, da Faculdade de Medicina da USP.
A nutricionista Rita Goulart, consultora técnica do Conselho Regional de Nutricionista em São Paulo e professora da Universidade São Judas Tadeu (SP), orienta as gestantes a abolirem o cafezinho após as principais refeições (almoço e jantar). “O café possui substâncias conhecidas como ‘antinutricionais’, que podem interferir de forma negativa na absorção de nutrientes importantes para a gestante”, explica. Isso sem contar que em um período em que enjoos e azia são comuns o café pode piorar o mal-estar gástrico.
Trabalhar até o final da gravidez
Grávidas podem trabalhar até o dia final da gestação, desde que sintam-se bem e sejam autorizadas pelo médico. Assim, a licença-maternidade fica reservada exclusivamente para o período de aleitamento. “É preciso particularizar cada situação, pois as profissões são muito diferentes em relação ao estresse físico e emocional que provocam e ao tipo de exposição a riscos”, explica Cláudia Garcia Magalhães, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), que lembra ainda que é um direito da mulher pedir afastamento a partir da 32ª semana de gestação.
“Se durante o pré-natal for detectado algum problema como hipertensão ou diabetes, a gestante deve parar de trabalhar para cuidar com mais rigor da gravidez”, orienta a professora de educação física da Universidade de Pernambuco Denise Vancea.
Já o ginecologista Odair Albano dá uma dica importante para as gestantes que pretendem trabalhar durante toda gravidez: “sempre que possível alterne períodos de ficar sentada a períodos de movimento”. Ou seja, se você passa muito tempo em pé, deixe uma cadeira sempre à mão para descansar. Mas, se você passa muito tempo sentada, tire uns minutinhos para dar um volta e tomar um ar fresco.
Relações sexuais
Grávidas podem ter relações sexuais normalmente. O sexo está liberado durante todo o período da gravidez para as mulheres com gestação normal. “A gestante só deve evitar relações sexuais caso tenha algum problema específico, mediante orientação médica”, explica Cláudia Garcia Magalhães, ginecologista e obstetra da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp).
Algumas das complicações que podem comprometer a vida sexual durante a gravidez são: ameaça de abortamento, trabalho de parto prematuro, placenta baixa e o período final da gravidez, quando o colo do útero começa dilatar. Se houver cólicas ou sangramento, procure o obstetra pré-natalista antes de retomar as atividades sexuais.
Mas mesmo sem passar por uma gestação de risco, não são raras as mulheres que perdem um pouco da libido durante os primeiros meses da gravidez. Segundo Denise Coimbra, do serviço de reprodução humana da Escola Paulista de Medicina, um fato interessante é que as gestantes relatam queda no interesse sexual por ‘enjoo’ do marido, o que pode envolver também questões psicológicas por proteção ao feto.
Por isso, se perceber diminuição no desejo, fique tranquila. Tudo deve voltar ao normal em breve. “O retorno da libido ocorre no segundo trimestre e se manterá até o fim da gravidez”, explica a especialista, que destaca ainda o papel do companheiro neste momento. “É fundamental que a grávida não se sinta rejeitada pelo marido”. Com o decorrer da gestação provavelmente também será necessário adaptar as posições, para que a barriga não atrapalhe durante a relação.
O que não pode
Tatuagem
Não, a gestante não pode fazer tatuagem.Segundo o obstetra Eduardo Cordioli, Presidente da Comissão de Urgências em Obstetrícia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), durante a gravidez a cicatrização está exacerbada e o resultado estético da tatuagem pode não ser o esperado. Podem surgir quelóides e os melanócitos, células que dão pigmentos para a pele, não atuam como de habitual.
Além disso, o ginecologista Cícero Venneri Mathias, da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), aponta riscos caso a tatuagem não seja realizada corretamente: a agulha utilizada deve estar esterilizada, e, se a tatuagem não for feita em um lugar de confiança, a mãe corre riscos de contrair doenças como hepatite B e C, por exemplo.
A tatuadora Melissa Khouri, do estúdio de Tatuagem Tattoo You, em São Paulo, descarta estes riscos se a mãe procurar um estúdio profissional, com ambiente higienizado. Isso vale para todos, sejam grávidas ou não. No entanto, Melissa prefere não tatuar grávidas, assim como boa parte dos tatuadores, pois acredita que qualquer problema posterior poderá ser creditado à tatuagem. Portanto, é melhor esperar.
Blindagem capilar
É melhor evitar fazer blindagem capilar na gestação. Para Cícero Venneri Mathias, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), tudo o que não for de costume da gestante deve ser evitado. A terapeuta capilar Sheila Bellotti, proprietária do Centro Capilar Sheila Bellotti, do Rio de Janeiro, também chama atenção para os cuidados deste momento. “Qualquer procedimento químico, por mais natural e inocente que seja, deverá ter a aprovação do médico responsável pela gestante”.
Segundo a obstetra Fabiane Sabbag Corrêa, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo, é preciso lembrar que tratamentos como amaciamento e escova progressiva costumam ter formol. Por não haver estudos a respeito da blindagem capilar, a segurança do tratamento é duvidosa.
Cerveja Preta
Grávidas não podem beber cerveja preta para produzir leite. Todos os especialistas concordam que a afirmação de que beber cerveja preta aumenta a produção de leite não passa de um mito. “A produção do leite é natural. O que mantém a produção necessária é a sucção permanente do bebê”, explica o médico ginecologista e administrador em saúde pública Odair Albano.
Debora Rodrigueiro, professora do departamento de Morfologia e Patologia da PUC-SP, afirma que apesar de algumas marcas apresentarem teor alcoólico inferior ao da cerveja clara, isso não é desculpa para consumir a bebida durante a gestação. A regra é a mesma para o consumo de qualquer bebida alcoólica, lembrando dos riscos para a SAF (Síndrome Alcoólica Fetal).
Mas é indicado que a mulher que amamenta consuma bastante líquido. “Os líquidos ajudam na produção do leite, preferencialmente os líquidos nutritivos, como sucos de frutas naturais, leite e água”, afirma Rita Goulart, professora de nutrição da Universidade São Judas e consultora técnica do Conselho Regional de Nutricionista em São Paulo.
Peeling
Grávidas não podem fazer peeling com ácidos, já que as substâncias usadas neste tipo de tratamento podem ser absorvidas pela mãe e, pela corrente sanguínea, atingirem o feto provocando graves problemas. “A isotretinoína (substância usada no tratamento de acne severa) pode causar serio comprometimento no sistema nervoso e cardiovascular do feto, além de anomalias de crânio, face e orelhas”, alerta a geneticista Debora Rodrigueiro, professora do departamento de Morfologia e Patologia da PUC-SP.
A melhor maneira de evitar as manchas escuras que aparecem durante a gestação é usando filtro solar e reduzindo a exposição ao sol. “Além disso, muitas destas manchas tendem a diminuir ou até desaparecer com o término da influência dos hormônios da gravidez”, explica a dermatologista Aparecida Machado de Moraes, Chefe de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. “O mais adequado é que se trate as manchas e acnes depois da gestação. Isso trará melhores resultados, inclusive para as mães”, garante.
Comer por dois
Grávidas não podem “comer por dois”. Todos os especialistas entrevistados sobre esse assunto concordam que essa história é mito e pode, na verdade, prejudicar tanto a mãe como o bebê. A nutricionista Carla Alberice Pastore, da Universidade Federal de Pelotas (RS), explica que durante a gravidez, ao contrário do que se pensa, não é necessária tanta energia a mais.
“Nas primeiras doze semanas, não é necessário que a mãe ingira nada além do que quando não estava grávida”, garante. Segundo a especialista, a partir da 13ª semana, são necessárias apenas 300 calorias adicionais, valor que se mantém até o fim da gestação. “Isso equivale a 1 maçã média, 1 pão francês (50g) sem miolo e 1 e ½ copo de leite desnatado”, diz.
Técnica do Conselho Regional de Nutricionistas em São Paulo, Rita Goulart destaca pesquisas que apontam que filhos de gestantes que mantêm uma alimentação adequada adquirem o hábito de consumir alimentos saudáveis. “O contrário também é verdade. Ou seja, se a gestante consumir alimentação rica em gorduras, sal e açúcar, o filho também desenvolverá uma preferência por estes alimentos”, afirma.
Outras orientações importantes são: comer de 5 a 6 vezes por dia em pequenas quantidades e em intervalos de cerca de 4 horas, evitar alimentos hipercalóricos, excesso de gorduras e massa, dar preferência aos alimentos integrais, ingerir bastante fibra e quantidade adequada de líquidos. “O ganho de peso ideal durante a gestação deve ser de 6kg, mais 5% do peso inicial”, afirma o ginecologista e obstetra Odair Albano.
Fonte: delas.ig.com.br