Quando posso começar a dar água ao bebê?

Beautiful baby drinking water from bottle

Bebês de 0 a 6 meses

Em geral, um bebê pequenininho não precisa tomar água. Até os 6 meses, há um consenso entre os pediatras de que não se deve dar água para bebês que mamam no peito.

O leite materno, além de todas as suas qualidades conhecidas, tem o teor de sais minerais inferior às formulas lácteas, o que o torna suficiente para uma boa hidratação, sem necessidade de água adicional. Nos dias mais quentes, o que ocorre é que aumenta a necessidade de o bebê mamar mais vezes (e, como consequência, a mãe precisa ingerir uma quantidade bem maior de água).

Para os bebês que tomam fórmula, as opiniões dos especialistas são divergentes. Há quem defenda que a água com que se prepara a fórmula já é suficiente. Outros pediatras, porém, lembram que essas fórmulas podem conter sódio (sal), e por isso vale a pena dar um pouco de água na chuquinha, mamadeira ou copinho, especialmente se estiver muito calor.

Antes de dar água ao bebê de menos de 6 meses, converse com o pediatra do seu filho. Lembre-se de que a água precisa ser filtrada, fervida e resfriada.

Bebês de menos de 6 meses têm estômagos pequenos. A água pode acabar saciando a criança e ocupando o lugar do leite. Além disso, o excesso de água (inclusive diluindo demais a fórmula em pó, quando se coloca mais água que o recomendado na embalagem) pode atrapalhar a digestão.

O mesmo vale para a oferta de chás, como erva-doce, camomila e cidreira. Eles são basicamente a mesma coisa que a água comum, podendo interferir na aceitação do leite quando oferecidos em excesso ou com muita frequência.

Em algumas situações — como quando o bebê fica vomitando sem parar –, o médico pode recomendar que você dê um preparado especial para evitar a desidratação, como o soro caseiro ou soluções reidratantes vendidas em farmácias.

Bebês de 6 meses a 1 ano

Depois dos 6 meses, você pode dar água ao bebê quando ele estiver com sede, mas não exagere. Prefira dar alguns goles depois das refeições, principalmente se ele tiver comido papinha salgada.

Água demais pode acabar ocupando o lugar que deveria ser da comida no estômago.

Crianças de mais de 1 ano

Quando a criança faz 1 ano, você pode liberar a água. Ela já tem a alimentação parecida com a de um adulto, e pode tomar água o quanto quiser.

Dê bastante água nos dias quentes e secos para evitar a desidratação, e também sempre que ela estiver com febre.

Mas, claro, se você notar que seu filho toma um copo grande de água antes do almoço e depois não come nada, é melhor permitir só um golinho antes da comida e o resto depois.

Fonte: Babycenter

Como cuidar das roupinhas do bebê?

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Sete respostas para várias dúvidas que surgem sobre como cuidar das roupinhas do seu bebê, como por exemplo:
como tirar manchas sem usar produtos químicos? Tem que passar a ferro? Como guardar para o próximo filho?

Com roupinha de bebê não dá para ter ansiedade, a pele do bebê é sensível e toda lavagem é necessária, principalmente a primeira, pois a roupinha estava no estoque da loja e nunca se sabe o que pode desencadear uma alergia no bebê.
De acordo com a pediatra Leda de Aquino, do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as roupinhas de bebê devem ser lavadas separadamente das roupas do resto da família, já que os produtos utilizados não podem ser os mesmos.

1. Como lavar as roupinhas do bebê?
Além de lavá-las separadamente, a pediatra Luisa Voltolini da Silva, do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, indica o uso de sabão neutro ou específico para crianças. O sabão de coco, segundo Leda de Aquino, também pode ser utilizado. Ambas as especialistas desaconselham o uso de amaciante. “Algumas crianças têm uma tendência maior a desenvolver dermatite e o amaciante pode ser um desencadeador, pelo perfume ou pela química”, diz Luisa.
Ricardo Monteiro, coordenador técnico da rede de lavanderias Quality, explica que o sabão em pó é uma substância alcalina – tem o pH maior do que sete e, por isso, não é neutra. Daí não ser indicada para os bebês. “O sabão em pó pode deixar resíduos com pH alto na roupa, o que não é indicado para bebês com pele sensível”, diz. O sabão líquido específico para roupas delicadas é o ideal. Um bom enxágue também é essencial.

2. Como tirar as manchas?
Segundo Ricardo Monteiro, todos os produtos antimanchas são também alcalinos. Por isso é preciso cuidado ao tirar aquela mancha de papinha que caiu na blusa do seu filho. “O melhor é enxaguar bem e, se precisar usar algum produto tira-manchas, fazer um último enxágue com vinagre de vinho branco”, explica.
Água sanitária nem pensar. A não ser que a roupinha seja muito bem enxaguada depois. Para evitar o uso de produtos do tipo, Ricardo Monteiro dá uma dica: quando a criança deixar cair comida ou outra sujeira na roupa, tire o excesso imediatamente. “Deixar para o dia seguinte faz a sujeira entrar na fibra e atingir o tecido. Se tirar na hora, com água, dificilmente a roupa ficará manchada”, completa.

3. As roupinhas devem sempre ser passadas a ferro?
De acordo com a pediatra Luisa Voltolini da Silva, sim. Além do cuidado extra oferecido pelo ferro quente, passar também é uma oportunidade para ver se as roupas estão limpinhas mesmo. Secar ao sol também é indicado.

4. E passar perfume na roupa do bebê, pode?
Melhor não. A composição química de um perfume eleva a possibilidade de o bebê ter alergias. Eventualmente, no entanto, um perfume pode ser utilizado. Ricardo Monteiro explica que os perfumes são levemente ácidos, mesmo os infantis, mas não costumam dar problema.

5. Existe um tecido mais indicado para as roupinhas de bebê?
O algodão, entre os especialistas, é considerado o melhor tecido para as roupinhas de bebê. “Deve-se evitar produtos sintéticos”, diz Leda de Aquino. Segundo ela, sintéticos podem impedir a transpiração e causar brotoejas.

6. Como guardar as roupinhas para o próximo filho?
O ideal é lavá-las bem e, antes de colocá-las no fundo do armário, embalá-las em sacos a vácuo, para ficarem protegidas.

7. Como guardar as roupinhas no armário para ter facilidade no dia a dia?
Pense sempre na praticidade, fraldas, que são muito utilizadas, ficam na primeira gaveta. Na segunda, peças já combinadas para o uso.
Se você tiver uma menininha em casa, os vestidinhos podem ficar pendurados, fáceis de serem alcançados. E deixe a última gaveta para os lençóis, que não são tão trocados quanto as roupinhas diárias do bebê.

Fonte: delas.ig.com.br

As culpas que toda mãe sente de vez em quando

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A culpa aparece independentemente da idade da mãe, da ocupação, do lugar onde mora e etc. Especialistas afirmam que mães de todos os perfis sentem culpa.

Mas sentir essa culpa de vez em quando não é de todo mal, ela pode até ser uma ferramenta útil, pois pode trazer reflexão e equilíbrio, desde que não seja em excesso. O segredo é você estar no controle da culpa e não ao contrário.

Veja a seguir um resumo das culpas mais comuns e como lidar com elas.

Não ter conseguido amamentar exclusivamente

Em todo lugar você lê ou ouve que amamentação exclusiva é o melhor para o bebê e se sente um fracasso se por um motivo ou outro não conseguir. Caso tenha esgotado as possibilidades e não há mais esperança, permita-se sentir essa tristeza, mas em seguida, aceite que você fez tudo o que podia e não se deixe abalar por críticas.

O leite materno é sim o melhor para o bebê, mas bebês alimentados com fórmula também se desenvolvem normalmente.

Usar filminhos e aparelhos eletrônicos como babá

Os aparelhos eletrônicos são bastante eficazes para fazer uma criança irritada ficar quietinha, por isso é uma tentação apelar para esses recursos. Você precisa fazer o jantar e coloca ele para assistir um filminho, mas quando o vê de olhar parado, boca aberta, perdido nas imagens sente uma pontada de culpa. O ideal é que crianças menores de 2 anos não assistam quase nada de televisão ou vídeos, por isso estabeleça limites, apele para os filminhos apenas em casos de emergência e faça em dois blocos de 15 minutos por dia se precisar, é o recomendado por especialistas para crianças com menos de 2 anos.

Deixar seu filho com outra pessoa enquanto trabalha

Ter de sair para trabalhar deixando o filho chorando em casa ou na escolinha é de arrasar o coração de qualquer mãe.

No retorno ao trabalho, depois da licença-maternidade, essa sensação pode ficar insuportável. Da primeira vez em que ele fica doentinho e você não pode ficar com ele, então, dá vontade de jogar tudo para o alto. 

E, como mães são seres muito complexos, é possível até ter culpa de não sentir culpa. Muitas mães confessam gostar de passar um tempinho longe da criança, levando uma vida de adulto, mas depois se sentem culpadas por sentir esse prazer.

Fique longe de guerras online entre as mães que trabalham e as que ficam em casa. Se encontrar críticas violentas à mãe que trabalha, afaste-se e simplesmente não as leia.

Pense que seu trabalho tem um propósito importante, seja para o bem-estar da sua família, para sua realização profissional ou até para o estabelecimento da independência do seu filho.

Perder a calma com o seu filho

Seu filho mais velho começa a gritar minutos depois que seu bebê finalmente caiu no sono. “Não acorde o bebê!” você diz, num tom muito mais furioso do que pretendia. Sua criança olha para você com olhos arregalados e assustados.

Quando isso acontece, deixe a poeira baixar e tente examinar cuidadosamente seu próprio comportamento. Esse episódio foi uma exceção? Você geralmente mantém a calma com o seu filho? Se a resposta for sim, então não se culpe e considere isso uma oportunidade de aprendizagem para ambos.

Até a pessoa mais tranquila pode perder a paciência de vez em quando, principalmente quando há uma situação de estresse — fome, cansaço, TPM, prazo de trabalho, alguém doente na família, dinheiro curto.

Tranquilize seu filho de que está tudo bem e explique o que aconteceu: “Às vezes as pessoas falam alto quando estão tristes ou bravas, mas isso pode magoar as outras pessoas.” Vale reconhecer o erro, pedir desculpas e mostrar qual teria sido a melhor solução. “Eu devia ter dito: fique quietinho, o bebê está dormindo.”

Não poder bancar tudo do bom e do melhor

Suas amigas inscreveram os filhos na aula de natação. Você adoraria fazer o mesmo, mas não dá para bancar a mensalidade.

Os coleguinhas da escola fazem festas de aniversário lindas e vão passar as férias em lugares incríveis, e você não consegue proporcionar o mesmo. E aquele brinquedo caríssimo que seu filho queria tanto? Nem pensar.

Está se sentindo péssima mãe? É normal sentir-se mal quando você não pode bancar o que considera o melhor, para a pessoa mais importante do mundo.

A questão é que muitas das coisas que nós consideramos “necessárias” não são. O que as crianças realmente precisam é de amor — não uma nova atividade cara ou o brinquedo recém- lançado.

Um passeio no parque da sua cidade, com direito a piquenique, pode ser tão especial quanto um dia em alguma cidade da Europa, nas lembranças do seu filho.

Além disso, os especialistas são categóricos em afirmar que, se seu filho tiver todas as vontades constantemente atendidas, ele nunca vai aprender o valor do trabalho, do dinheiro e das conquistas.

Você pode ser o exemplo e ensinar as crianças a aproveitar a vida e a resolver problemas de uma forma que não envolva a compra de coisas ou o uso do dinheiro.

Em vez de se concentrar no que você não pode dar ao seu filho, foque no que ele pode ter. Por exemplo, em vez do tal curso de natação, experimente levá-lo todo fim de semana ao parque para jogar bola.

Fonte: Babycenter

Estudo mostra como identificar o choro do bebê

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Raiva, medo ou dor: estudo mostra como identificar o choro do bebê.

Não é fácil descobrir por que um bebê está chorando quando os gritos são estridentes e incessantes e não saber o motivo é, muitas vezes, angustiante. De olho nos movimentos dos olhos, nos músculos da face e na dinâmica do choro, pesquisadores espanhóis criaram padrões de comportamento que estabelecem três emoções características que definem o motivo do chororô ininterrupto dos recém-nascidos: o medo, a raiva e a dor.

“Chorar é a principal maneira de o bebê comunicar suas emoções negativas e, na maioria dos casos, a única maneira que eles têm de expressá-las”, explica Mariano Chóliz, pesquisador da Universidade de Valência que participa ainda de um estudo para observar a capacidade dos adultos em reconhecer o motivo do choro do bebê.

Quando os bebês choram de raiva ou por medo, eles mantêm os olhos abertos, enquanto o choro da dor está mais vezes relacionado aos gritos com os olhos fechados“, afirma Chóliz. De acordo com o estudo, é possível entender a dinâmica das lágrimas: tantos os gestos quanto a intensidade do grito vão aumentando gradualmente quando o bebê está com raiva. Por outro lado, se o choro é tão intenso quanto pode, é porque ele está sentindo medo ou dor.

Nas análises das reações de 20 bebês, entre 3 e 18 meses, os especialistas observaram que a atividade muscular da face do bebê é caracterizada por grande tensão na testa, sobrancelhas e lábios, além da abertura da boca e bochechas levantadas. Chóliz define as tensões em três emoções, raiva, dor e medo. “Quando está com raiva, a maioria dos bebês mantém o olho semifechado, enquanto o olhar está aparentemente sem direção ou ainda de maneira fixa e saliente“, diz. A boca fica aberta ou, em alguns casos, semiaberta, e a intensidade do choro aumenta progressivamente.

No caso do medo, os olhos ficam abertos o tempo todo com um olhar penetrante, movendo a cabeça para trás com frequência. O choro é um grito explosivo após um gradual aumento de tensão. Por fim, as lágrimas da dor são caracterizadas pelos olhos constantemente fechados e, quando abertos, assim permanecem por poucos instantes. O olhar, neste caso, é distante. “Há ainda um elevado nível de tensão na área dos olhos junto com franzidos na testa. O choro começa com máxima intensidade, começando de repente e imediatamente após o estímulo da dor“, afirma o estudo.

Choro da dor é o mais fácil de ser identificado pelos pais
Coordenador dos estudos, Chóliz também avaliou o desempenho dos adultos em reconhecer o motivo do choro dos bebês. O que ficou claro é que eles não conseguem entender exatamente o que o choro do bebê significa. Entre os pais de primeira viagem, principalmente, a tarefa é ainda mais difícil.

Embora as razões principais sejam fome, dor, raiva e medo, os adultos não conseguem reconhecer qual das emoções é a causadora das lágrimas, sobretudo quando se trata de raiva ou medo“, afirma a pesquisa publicada recentemente no Spanish Journal of Psychology. Para os especialistas, a dor ser a emoção mais facilmente reconhecida pelos pais é explicada pelo fato de esse tipo de choro ser um tipo de alerta para uma ameaça grave de saúde ou sobrevivência do bebê que requer uma reação mais urgente dos pais.

Fonte: http://gnt.globo.com/maes-e-filhos

Entrevista com o pediatra Carlos González

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No post de hoje vamos compartilhar com vocês uma entrevista com o pediatra Carlos González que foi feita pela revista crescer. O assunto é Cama compartilhada, colo sem hora marcada e limites para os adultos, o pediatra defende uma maternidade mais livre e leve.

Leia abaixo, vale a pena.

Com um bebê de alguns meses em casa, que dorme pouco e chora muito, os pais ficam exaustos. Depois de alimentar, verificar se a fralda está limpa e fazer de tudo para ninar a criança, acabam recorrendo à busca por respostas na internet. É bem provável que, ao digitar termos como cólica, sono, choro e bebê, ou ao perguntar sobre algum desses assuntos em grupos de maternidade nas redes sociais, eles se deparem com textos do pediatra Carlos González. Especialista em aleitamento, o médico de Barcelona (Espanha) é famoso por ideias que vão contra a rigidez de muitos profissionais e fontes tradicionais de informação. González costuma repetir até que não são necessários livros para saber como cuidar dos filhos, apesar de ele mesmo já ter escrito vários.

 “O problema é que muitos pais parecem inseguros. Passam o dia buscando informação, respostas, conselhos, truques para criar seus filhos”, diz. O primeiro título de sua autoria a ganhar uma edição no Brasil, o Manual Prático do Aleitamento Materno, foi publicado em março. O segundo, Bésame Mucho – Como Criar Seus Filhos Com Amor, foi lançado recentemente no país. O primeiro livro é focado nos vários aspectos da amamentação, enquanto o segundo trata de temas variados como afeto, sono, cólica, choro e comportamento – tanto da criança como dos pais. CRESCER conversou com o médico, que é casado e pai de três filhos, e mostra também o que a ciência diz sobre esses temas.

Muitas pessoas dizem que os bebês ficam mal-acostumados se os pais os pegam no colo frequentemente. Por que essas ideias são tão difundidas e quanto elas podem ser prejudiciais à criança?
Sim, claro, as crianças que ficam muito no colo se acostumam… Por isso, vemos tantos pais nas ruas com garotos de 15 anos nos braços. Pelo amor de Deus! Não é porque fizeram algo muitas vezes que as crianças se veem obrigadas a repetir pelo resto da vida. Você leva seus filhos no carrinho e, depois, eles andam sozinhos. Você coloca fralda durante anos, e então eles deixam de usá-las. Você limpa o bumbum deles durante anos e eles aprendem a se limpar sozinhos. Nenhuma criança de 10 anos quer andar no carrinho, nem usar fralda, nem permite que a mãe limpe seu bumbum. E tampouco quer andar no colo. Elas deixam que as carreguem por muito pouco tempo. É preciso desfrutar, porque, em alguns anos, elas não vão querer mais.

Uma das primeiras histórias que o senhor conta em Bésame Mucho é sobre um encontro com uma jovem mãe. Quanto mais o bebê chorava, mais ela balançava o carrinho, mas não o pegava no colo por vergonha. Por que isso acontece?
Suponho que, em geral, as mães têm medo de serem mães ruins ou classificadas dessa maneira. Criar um filho é muito importante e todo mundo quer fazer isso bem. Diante de uma figura de autoridade, do pediatra, da enfermeira, da sogra, da vizinha ou de outras mães, ela se esforça para demonstrar que está criando bem seu filho. Às vezes, age assim pensando que essas pessoas têm razão e tenta seguir os conselhos porque crê que é o melhor a fazer. Em outras, ainda que não esteja de acordo, ela dissimula para não ser criticada ou desqualificada.

As mães são cobradas para serem perfeitas com os filhos, mas também para que voltem logo ao trabalho, à antiga forma física, ao romance com o marido… O papel delas não fica um pouco confuso? 
Sim. Querem obrigar as mulheres a fazer muitas coisas, mas não se pode fazer tudo de uma vez. Assim, cada um deverá decidir o que quer fazer de verdade, o que é mais importante e a que vai dedicar mais tempo. Ter filhos não é obrigatório, mas, se vocês decidem tê-los, devem saber que vão precisar de muitas horas de atenção, de dia e de noite. As crianças pequenas têm mais necessidade da mãe do que do pai? Os bebês estabelecem o vínculo com uma pessoa. Em circunstâncias normais, essa figura primária de apego geralmente é a mãe. Não porque deu à luz nem porque amamenta, mas porque é ela quem presta mais atenção nele nos primeiros meses. Excepcionalmente, se a mãe não responde ao filho por conta de uma depressão pós-parto grave, por exemplo, ou está ausente, a figura de apego é outra: o pai, a avó, a babá…

Crianças fazem manha por querer?
Elas não podem sobreviver sem os cuidados de seus pais e fazem o necessário para obter isso. Deixamos as crianças malcriadas quando as ensinamos que as coisas são mais importantes que as pessoas: “Não vou passar a tarde com você porque estou muito ocupado, mas fique com esse brinquedo caríssimo para que você se entretenha sozinho e não me atrapalhe”. As crianças precisam ter limites, claro. Não podem voar, não podem fazer milagres, não podemos deixar que brinquem com fogo, que bebam alvejante ou batam em outras crianças, não podemos permitir que andem de bicicleta em lugares perigosos ou que tenham um cavalo em um apartamento na cidade, ou que comam muitas balas… Todas as crianças têm limites. A questão é nos darmos conta de que os pais também precisam ter. Não podemos bater em nossos filhos. Não podemos gritar com eles, humilhá-los, ridicularizá-los, ignorá-los…

Como identificar o limite entre a atenção e o excesso de zelo? A superproteção pode ser negativa?
Não. Ao contrário. Os pais estão cada vez mais separados de seus filhos. Agora, quase todas as crianças começam no berçário antes de completar 1 ano. A maioria, aos 4 ou 6 meses. Muitos têm atividades extracurriculares porque, às 17 horas, quando acaba a escola, os pais ainda não voltaram para casa. Então, as crianças precisam fazer inglês, esportes, música ou o que quer que seja para preencher essas horas. Nunca tantas crianças tinham passado tanto tempo separadas de seus pais desde tão pequenas. Esse é o grande problema.

O que o senhor pensa sobre as técnicas que prometem “ensinar” o bebê a dormir?
Os bebês já sabem dormir desde antes de nascer. Dormir é imprescindível para a vida. Uma pessoa que não dorme morreria antes que outra que não se alimenta. O que se ensina é dormir no momento e da maneira que convém aos pais (ou aos “especialistas”?). Se houvesse alguma maneira de ensinar isso às crianças sem fazê-las sofrer, seria magnífico. Com certeza, seria maravilhoso dizer ao seu bebê de 7 meses: “Meu filho, por favor, você precisa dormir dez horas seguidas e sem chorar”, e seria ótimo se ele obedecesse. Mas não funciona. Os métodos que habitualmente se recomendam para ensinar os bebês a dormir se baseiam em não acudir quando eles choram, não consolá-los, não acompanhá-los, não acalmá-los. Na realidade, o que você está ensinando é que não vale a pena chorar, porque ninguém vai vir, e eu não quero ensinar isso aos meus filhos. O que eu ensino a eles, desde o primeiro dia, é que, quando precisam de mim, é só chamar, que vou acudi-los o quanto antes e farei todo o possível para ajudá-los, tenham eles 3 meses ou 30 anos.

A cama compartilhada com a criança é uma prática condenada por vários especialistas, mas que, segundo seu livro, favorece o vínculo e a amamentação…
Quando pergunto ao público em alguma conferência: “Tem alguém aqui que nunca, nunca, em sua vida, tenha dormido na cama dos seus pais?”, 5% das pessoas erguem a mão. Quase todos nós dormimos com nossos pais, acordamos e não aconteceu nada de mal (quanto aos que creditam que não dormiram com seus pais, certamente, é porque não se lembram).
O senhor acha que as pessoas criam expectativas erradas sobre o sono do bebê? Por que se espera que a criança durma a noite inteira?
É muito bom quando alguém avisa aos pais que, por muito tempo, o sono deles será interrompido. É o que ocorre quase sempre. Não é que eles não vão dormir. Vão, mas não tanto, nem por tanto tempo, nem com tanta comodidade como antes. O problema é que fazem com que os pais acreditem que o bebê dorme a noite inteira de uma vez, que é o normal, que se eles acordam é por algum problema ou porque estão mal-acostumados.

Por que a sociedade moderna quer tanto a independência das crianças, que devem “comer sozinhas logo” ou “aprender a usar o banheiro o quanto antes”?
É outro mistério. O discurso de muitos pais é o de querer que seu filho seja independente. Mas não qualquer tipo de autonomia. “Quero que meu filho seja independente, mas que faça sempre o que eu quero, sem chorar, nem reclamar nem me pedir ajuda”, dizem. Antes, seus pais davam ordens e, se você não obedecesse, era castigado. Agora, às vezes é pior, porque você tem de adivinhar o que seus pais querem e fazer sem que eles digam nada. E se não faz, tem “um problema de conduta” e precisa ir ao psicólogo. Outro grande anseio dos pais diz respeito à alimentação. Eles querem que os filhos comam bem e de tudo.

Quais devem ser as reais preocupações?
O principal, o mais importante de tudo, é não obrigar uma criança a comer. Jamais, de nenhuma maneira, com nenhum método, nem por mal (com gritos, castigos e ameaças), nem por bem (com prêmios, elogios, promessas ou distrações). Dizer a uma criança “você comeu pouco, precisa comer mais” é tão absurdo quanto dizer “você respirou pouco, precisa respirar mais”. E também ajuda muito oferecer, desde os 6 meses, comida normal, a mesma que os pais comem, sem triturar, deixando que ele mesmo a leve à boca.

Como estabelecer hora para as mamadas atrapalha o aleitamento?
O horário para as mamadas é o maior obstáculo para a mãe. Ouvir seu filho chorar por horas porque ainda não está na hora? Ter de acordá-lo porque já é hora, justo hoje que, finalmente, ele está dormindo um pouco mais e a mãe está esgotada? O próprio conceito é absurdo. Supõe-se que a educação consiste em preparar os filhos para quando forem adultos. Ninguém toma café da manhã sempre à mesma hora na quarta-feira e no domingo. Ninguém cronometra para terminar o prato em dez minutos. Ninguém se recusa a tomar um café com os amigos (“Não, sinto muito, não posso, porque só faz meia hora que comi e não posso tomar nada até que se passem quatro horas.”).

É possível dizer que a palavra que resume os princípios discutidos em seus livros, especialmente em Bésame Mucho, é empatia, ou seja, colocar-se no lugar das crianças e tentar enxergar as necessidades delas com mais compreensão?
Sim. Há um princípio básico da ética, que é tratar os outros como você gostaria de ser tratado. Não existe motivo para não aplicá-lo também às crianças. Alguém pode pensar:
“Mas, com certeza, não quero que me carreguem no colo, nem que me contem uma história para dormir nem dividir a cama com meus pais”. É aí que entra a empatia, a capacidade de compreender os sentimentos do outro. Não é “como eu gostaria que me tratassem agora, como um adulto de 30 anos”, mas “como eu gostaria que me tratassem agora, se tivesse 2 anos e chorasse aterrorizado porque não quero dormir sozinho”.

Fonte: revistacrescer