
Continuação do post de semana passada. Dá uma olhada no que mais você, futura mamãe, pode e não pode fazer. Mas lembre-se: consulte sempre o seu médico(a).
O que pode:
Dormir de bruços (com a barriga para baixo)
Grávidas podem dormir de barriga para baixo. Se a gestante se sentir confortável, não há contraindicações em dormir de barriga para baixo. No entanto, a partir do quarto mês de gestação, com o aumento do volume abdominal, a tendência é de que a posição se torne desconfortável.
Todos os especialistas indicaram a lateral esquerda como a melhor posição para a gestante. “Assim ela tira o peso da barriga da veia cava e melhora a circulação sanguínea”, diz a obstetra e ginecologista Denise Coimbra, do serviço de reprodução humana da Escola Paulista de Medicina. Para aumentar o conforto, o ginecologista e obstetra Odair Albano recomenda que a gestante mantenha a perna esquerda esticada e a direita dobrada e use um travesseiro pequeno entre as pernas e um grande para apoiar a barriga.
A mesma orientação é dada pela fisioterapeuta e ginecologista Tânia Scudeller, pesquisadora de fisioterapia em saúde da mulher e coordenadora do curso de Fisioterapia da Unifesp. “O mais indicado é que a gestante durma de lado, com um travesseiro médio sob a cabeça e um pequeno entre as pernas. Dessa maneira mantém toda a coluna alinhada e previne dores musculares”, explica.
Ir a shows e baladas
Grávidas podem ir a shows ou baladas com som alto, com moderação. Não é porque você está grávida que precisa ficar enfurnada dentro de casa e recusar a todos os convites para uma festa animada. No entanto, a futura mamãe deve sempre se preocupar com o próprio bem-estar e o do bebê.
A ginecologista e obstetra Denise Coimbra, do serviço de reprodução humana da Escola Paulista de Medicina, recomenda mais cautela a partir do terceiro trimestre de gestação. “A audição e a visão fetal já estarão desenvolvidas desde o 7º mês. Em baladas, com som muito alto e muitas luzes, o bebê ficará confuso e poderá ficar mais agitado”, explica. Se não houver alternativa, Denise Coimbra recomenda que tanto o pai quanto a mãe acariciem e confortem o bebê durante a festa com passadas de mão suaves na barriga – o tato também já estará desenvolvido neste período – e conversas próximas ao ventre.
O obstetra e ginecologista Odair Albano também dá outras recomendações: “Esteja bem alimentada e hidratada, não use bebidas alcoólicas e procure ambientes arejados, com temperatura agradável”.
Manter Cães e Gatos
Grávidas podem ter cães e gatos, mas com cuidados redobrados. Debora Rodrigueiro, professora do departamento de Morfologia e Patologia da PUC-SP, explica que o parasita responsável pela infecção por toxoplasmose pode ser transmitido pelo contato com as fezes de gatos, mas isso não significa que o animal deve ser isolado. “Para evitar a infecção, basta não mexer ou limpar as fezes dos gatos”, orienta.
Segundo ela outros animais domésticos, como os cães, não transmitem o parasita. A ginecologista e obstetra Cláudia Garcia Magalhães, da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), dá a mesma recomendação. “Caso tenha gato em casa, a tarefa de limpar as fezes deve ser delegada a outra pessoa”, explica. Se não dá para delegar, o ginecologista Odair Albano indica às gestantes o uso de luvas descartáveis para manipular urina, fezes e secreções do animal.
Ainda com todos os cuidados, manter os pets é uma opção da gestante. Alguns profissionais contra indicam a convivência com os bichos. O ginecologista Luiz Ferraz de Sampaio Neto, da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Sorocaba, orienta as mulheres que nunca tiveram a doença – e, portanto, tem nenhum ou poucos anticorpos contra a toxoplasmose – a não manipular gatos ou qualquer outro animal que possa ser veículo de transmissão do parasita, como pombos e galinhas.
Tomar anestesia
Grávidas podem tomar anestesia de dentista. A ginecologista e obstetra Cláudia Garcia Magalhães, da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), afirma que a gestante pode e deve cuidar dos dentes. “Esse cuidado pode prevenir, inclusive, o parto prematuro”, diz ela. Segundo o ginecologista Odair Albano, administrador de saúde pública, o atendimento odontológico pode ser feito com anestesia. “Mas a gestante precisa informar ao dentista sobre a gravidez, caso ela ainda não seja aparente”, alerta.
O perigo, segundo o ginecologista Luiz Ferraz de Sampaio Neto, da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Sorocaba, não está na anestesia, mas em uma substância que é usada pelos cirurgiões-dentistas junto com a anestesia somente nos casos em que é necessário reduzir o sangramento para facilitar o procedimento. “Essa substância é vasoconstritora e pode elevar a pressão arterial. Paciente com os níveis de pressão já comprometidos não devem se expor a este tipo de produto”, explica.
O ginecologista destaca ainda que o ideal é que haja a possibilidade da paciente se posicionar lateralmente durante qualquer procedimento, o que pode reduzir o desconforto.
Andar de avião
Grávidas podem viajar de avião normalmente até o 8º mês. As empresas de aviação só impedem o embarque de grávidas depois da 34ª semana porque é só a partir deste período que aumenta o risco da gestante entrar em trabalho de parto em pleno voo. Mas, pelo mesmo motivo, a ginecologista e obstetra Denise Coimbra, do serviço de reprodução humana da Escola Paulista de Medicina, desaconselha viagens aéreas já a partir do 7º mês.
“Grávidas em situações especiais poderão embarcar, desde que apresentem atestado médico”, lembra o ginecologista Luiz Ferraz de Sampaio Neto, da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Sorocaba (PUC-SP). Ele explica que os voos em cabines pressurizadas não costumam trazer malefícios para a gestante, mas recomenda que em viagens muito prolongadas as futuras mamães façam o uso de meias elásticas e procurem se movimentar para evitar o risco de tromboembolismo.
Vale lembrar que alguns destinos, como países da África e Ásia, exigem vacinas que não são recomendadas durante a gestação.
O que não pode:
Carne mal passada
Grávidas devem evitar carne mal passada. O risco de contaminações, principalmente de toxoplasmose, deixa os especialistas em alerta em relação a este hábito. “Esta é uma recomendação popular comum para combater a anemia, mas não deve ser seguida. A carne mal passada pode transmitir infecções e parasitoses perigosas para a mãe e para o bebê”, afirma a nutricionista da Universidade Federal de Pelotas (RS), Carla Alberice Pastore.
A especialista Debora Rodrigueiro, do departamento de Morfologia e Patologia da PUC-SP, reforça que o parasita que transmite a toxoplasmose pode ser encontrado em carne mal cozida, ovos crus e leite não pasteurizado. “Para o adulto, os sintomas são imperceptíveis, mas o parasita é capaz de atravessar a placenta. Se o feto for infectado, desenvolverá toxoplasmose congênita”, explica. Os bebês que adquirem a toxoplasmose congênita não apresentam alteração no nascimento, no entanto, mais de 90% desenvolvem problemas de cegueira, surdez, e atraso de desenvolvimento, meses ou até anos depois.
Para o médico ginecologista e obstetra da Faculdade de Medicina da USP, Roberto Eduardo Bittar, assim como para a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), Cláudia Garcia Magalhães, o alimento deve ser evitado principalmente por mulheres que são suscetíveis a toxoplasmose, ou seja, nunca tiveram contato com o parasita. Isso você descobre por meio de um exame de sangue que deve ser feito preferencialmente antes da gestação.
Correr
Grávidas podem praticar corrida, mas com (muitas) restrições e apenas nos primeiros meses de gestação. Para quem já pratica a atividade, no início da gestação não há contra indicações. Mas quem corre ao ar livre precisa redobrar a atenção para evitar quedas. “Com o evoluir da gestação, a gestante deve substituir a corrida por algo com menos impacto, como a caminhada e a hidroginástica”, afirma a ginecologista e obstetra Cláudia Garcia Magalhães, professora da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp).
A coordenadora do curso de fisioterapia da Unifesp, Tânia Scudeller, explica que a corrida é um exercício muito intenso, que exige bastante do sistema cardiovascular, o que pode ser um problema já que durante a gestação esse sistema também é sobrecarregado. “A somatória dessas duas demandas – corrida e gravidez – pode diminuir o fluxo de sangue para o feto e trazer prejuízo ao seu desenvolvimento”, alerta.
A orientação da educadora física Denise Vancea, professora da Universidade de Pernambuco, é trocar a corrida pela caminhada. “Caminhar durante a gravidez com regularidade, todos os dias, pode evitar o ganho de peso desnecessário, o que consequentemente diminui o risco do desenvolvimento de diabetes gestacional ou hipertensão”, informa a especialista.
Nem as atletas profissionais estão isentas dos cuidados. As corredoras gestantes precisam treinar com supervisão e ser acompanhadas com maior frequência pelo obstetra.
Tomar adoçantes
Grávidas só podem tomar adoçante em casos específicos e com restrições. O ginecologista Luiz Ferraz de Sampaio Neto, da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Sorocaba, explica que faltam estudos científicos suficientes que definam as doses adequadas ou quais são os efeitos do uso de adoçantes durante a gravidez. “Aparentemente, o uso em pequenas quantidades seria seguro, especialmente para aquelas que precisam controlar melhor o ganho de peso”, afirma.
A geneticista Debora Rodrigueiro, professora do departamento de Morfologia e Patologia da PUC-SP, também ressalta que o uso de adoçante na gestação deve ficar limitado às grávidas que precisam de maiores cuidados no controle de peso e às que são diabéticas. Mesmos nesses casos é preciso recomendação médica, pois nem todos os produtos são indicados para gestantes. “Baseado nas evidências atualmente disponíveis, deve-se dar preferência ao aspartame, sucralose, acessulfame-K e a estévia”, afirma Debora Rodrigueiro.
Todos estes adoçantes citados pela especialista também são considerados seguros para as gestantes pela FDA (Food and Drug Administration, órgão norte-americano que regulamenta alimentos e remédios). Mesmo assim, é preciso avaliar cada caso individualmente, já que alguns dos produtos podem ser contra-indicados em situações específicas. O médico nutrólogo José Alves de Lara, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), lembra que o aspartame, por exemplo, já não pode ser consumido por pessoas que sofrem de fenilcetonúria, uma doença metabólica em que o organismo não consegue processar o aminoáciodo fenilalanina.
Doar Sangue
Grávidas não podem doar sangue. O Ministério da Saúde proíbe a doação de sangue de gestantes e lactantes. A ginecologista e obstetra do serviço de reprodução humana da Escola Paulista de Medicina, Denise Coimbra, explica que ao doar sangue a gestante compromete seu estoque de ferro no organismo, o que pode evoluir para um quadro de anemia trazendo riscos ao feto.
O ginecologista Luiz Ferraz de Sampaio Neto, da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Sorocaba (PUC-SP), afirma que a possibilidade da gestante sofrer um desmaio durante ou logo após a doação é grande. “Se ela desfalecer ou acabar caindo, pode haver prejuízos tanto para ela quanto para o bebê – o que por si só já justificaria não doar sangue nesta fase”, afirma.
Tomar vinho
Grávidas não podem beber vinho. Além de não trazer benefícios nutricionais ao feto, o álcool ainda pode trazer riscos à saúde dele. “A maior causa não genética de deficiência mental é a ‘síndrome alcoólica fetal’ (SAF). De 2 a 4 doses diárias de álcool são suficientes para instalar este quadro”, explica Debora Rodrigueiro, professora do departamento de Morfologia e Patologia da PUC-SP. A SAF pode provocar microcefalia – crânio de tamanho reduzido e cérebro inferior ao normal -, presença de lábio superior mais fino que o inferior e filtro nasal apagado.
Carla Alberici Pastore, nutricionista da Universidade Federal de Pelotas (RS), orienta as futuras mamães a não consumir álcool durante a gestação. “Estudos mostram que mesmo pequenas doses ocasionais de álcool trazem impactos negativos para o bebê. Quanto maior a dose de álcool e maior a frequência de consumo, piores essas consequências”, alerta. José Alves de Lara, médico nutrólogo e vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), destaca que, independentemente de estar grávida, pelo seu menor peso e por um determinante metabólico, as mulheres devem ter sempre mais cuidado com o álcool.
Fonte: delas.ig.com.br